Nascimento/Born: 17/Abril/2009
Doença/Illness: Neoplasia
Tema/Theme: Corações
Data de Encerramento/Deadline: Especial
 

 

A Rebecca nasceu no tempo normal da minha gestação (40 semanas) e por falta de sintomas para o parto natural, foi agendada cesárea. Ela nasceu no Hospital Santa Catarina, tirou nota 10 na escala de Apgar e apresentou poucas intercorrências na primeira infância. Antes de 1 ano de idade foram duas internações por pneumonia e fez uso até os dois anos de “label” e “motilium”, por causa de refluxo interno.
Teve a infância e crescimento totalmente normais, sendo acompanhada por pediatra mensalmente e com início escolar aos 3 anos de idade. Sempre teve uma alimentação completa, com aceitação boa de todos os alimentos e adepta de esportes, principalmente corrida e ginástica.
No ano passado (2015) fez teste para a seleção de crianças em ginástica artística, na conceituada escola Agith, em São Caetano do Sul, e foi aprovada. Em agosto iniciou os treinos e mesmo como aluna nova, utilizava todos os aparelhos, como travas, cavalo, e nunca apresentou até então, qualquer dificuldade na execução. Precisou interromper os treinos em outubro por conta das atividades domésticas que eu exercia.
Finalizou a primeira série da Educação Infantil em novembro do mesmo ano, e no feriado de ano novo viajamos para o nosso sítio, em Porto Feliz, onde foi manifestado seu primeiro sintoma: “mãe, estou vendo duas de você”.
Um fato curioso, é que no mês anterior, em conversa com meu marido, decidimos cancelar nosso plano de saúde por conta da crise financeira que atingia todo país.
No dia 14/01/2016 procurei o primeiro especialista. É claro que fui a um oftalmologista. Jamais imaginaria que minha filha pudesse ter algo tão mais complexo que um estrabismo. Mas, diante dos exames realizados, foi confirmado o estrabismo junto com astigmatismo e recomendado o uso de lentes corretivas. 15 dias depois, retornei em outro oftalmologista, pois os sintomas não cessavam, principalmente as dores de cabeça. Mas elas não eram frequentes, o que nos mantinha, de certa forma, tranquilos, pois ela se queixava no máximo duas vezes por semana e os vômitos também eram raros. Um segundo e terceiro médico da mesma área foi consultado e novamente o mesmo prognóstico foi confirmado, mas aí, com um novo sintoma: o desequilíbrio. Eles relacionaram a “falta de coordenação” com o fato dela não ter noção de profundidade, por isso, não conseguia andar em linha reta, batia em batente da porta, e derrubava o copo que estava em cima da mesa. Porém, tudo isso ainda nos deixava intranquilos. Hoje sei que Deus nos encaminhou para o lugar certo, e mesmo tendo a direção correta do que fazer apenas no quarto oftalmologista, sei que Deus permitiu cada passo nosso. Este último médico, que hoje me recordo apenas do primeiro nome, Dr. Eduardo, nos afirmou que o menor dos males era a sua visão. Pediu que fossemos num neuropediatra com a máxima urgência. Através do contato dele e de outros colegas, conseguimos marcar a consulta para o dia seguinte, dia 08 de março de 2016. Este foi o último momento que passamos por consulta particular. A partir de então, tudo que foi realizado na Rebecca e para a Rebecca foi através do SUS. Então, o Dr. Paulo Breines encaminhou a Rebecca no mesmo dia para a Santa Casa de São Paulo. Nota-se que se em janeiro tivéssemos ido a um especialista (neurologista), este provavelmente teria constatado seu real caso, e teria nos encaminhado para qualquer outro hospital público, que não a Santa Casa, e esta não era a vontade do Pai. Nós nos sentimos muito tranquilos e a Rebecca estava totalmente amparada naquele lugar. A chefe de enfermagem nos conhecia, o R5 em neurocirurgia, nos conhecia, o Dr. Milton, chefe responsável pela ressecção do tumor, se formou alguns anos antes da minha tia Walkyria, também ex aluna da Santa Casa. O detalhe é que não conhecíamos nenhum deles.rs
Bom a partir daí, foi uma corrida contra o tempo. No mesmo dia 8 fez tomografia. No dia seguinte fez ressonância e biópsia, e colocaram uma válvula para drenar o líquor que estava acumulado em sua cabeça por causa da lesão. Mesmo com uma hidrocefalia aguda, a Rebecca não tinha sonolência, vômitos ou pressão alta, sintomas caudados por esta doença.
A biópsia leva no mínimo 10 dias para ficar pronta. O resultado anatomopatológico da Rebecca ficou pronto em apenas 5 dias!!! Infelizmente foi o pior resultado. A pressa e o bom procedimento da equipe neurocirúrgica não foi compensada pela saúde da Rebecca, que não respondeu bem a invasão em sua cabeça, precisando fazer uso de anti-convulsivo, e demorou para conseguir respirar sem ajuda da ventilação artificial além de passar por nova cirurgia para colocar uma válvula interna do dreno, chamada derivação peritoneal ventricular, pois mesmo com quase 70% de ressecção do tumor, o líquor continuava parando em sua cabeça. Depois de cinco intercorrências cirúrgicas a Rebecca finalmente teve alta. Todo o período da internação, sendo 95% dele na UTI, ela não contraiu NENHUMA infecção. E no dia 12 de abril de 2016 ela teve alta. Obrigada Senhor!
O tratamento no GRAACC iniciou no dia 14 de abril. Ela fez duas sessões muito fortes de quimioterapia para tentar secar ao máximo o resquício do tumor que ficou em sua cabeça. O resultado foi surpreendente e a pequena mancha existente foi tratada com 31 sessões seguidas de quimioterapia e radioterapia, com descanso apenas aos finais de semana. A partir de abril até hoje, foram feitas 3 internações por conta da baixa imunidade, e hoje ela continua fazendo uso do anticonvulsivo e de uma medicação anticoagulante (duas injeções diárias), pois infelizmente ela também ficou com trombose, por causa do uso do cateter (necessário para receber altas doses de medicação). Ela está bem, brinca com a irmã e comigo todos os dias, assiste TV, caminha sozinha e faz contas de matemática sem qualquer dificuldade. Seu diagnóstico não tem cura registrada em nenhuma parte do mundo. O tumor é maligno e muito agressivo. A vida dela e o propósito de tudo isso estar acontecendo está nas mãos do Senhor. Confiamos e entregamos a vida da Rebecca em Sua perfeita vontade.
Flávia, mãe da Rebecca - carta escrita em setembro/2016

Galeria

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